As ‘tapas’ (“Actually it’s TAY-PAS!!!”, como diria Maurice Moss em The IT Crowd) podem ser objecto de análises ainda mais arriscadas que as puramente nutricionais ou organolépticas. Um bom exemplo disso é o estudo La tapa: análisis jurídico, do qual som autores Javier Álvarez Nogal (advogado) e Jordi Barrat Esteve (professor de Direito Constitucional na Universidade de Leom). Ainda que centrado nos hábitos hostaleiros da capital leonesa -umha visita ao seu Barrio Húmedo sempre é recomendável para os amadores da restauraçom rápida e de qualidade-, o estudo achega elementos de interesse, como esta classificaçom de três institutos jurídicos próximos, mas diferentes:

  • Tapa: Degustaçom gratuita, oferecida por um estabelecimento hostaleiro, como complemento à consumiçom líquida requerida polo cliente ou consumidor.
  • Pincho: Degustaçom que difere da tapa no elemento da gratuidade, dado que o cliente deverá pagar umha quantidade determinada se, junto à sua consumiçom, pretende ingerir algum elemento sólido.
  • Ración: Igual que o pincho, nom é gratuita. Aliás, em funçom de traços como a quantidade servida ou os utensílios facilitados ao cliente (talheres, guardanapos, etc.), pode atingir umha entidade ou consistência de seu que a afasta de ser um mero complemento a umha consumiçom.

Partindo dessa taxonomia, que pode ser controvertida e de difícil traduçom a outras línguas (com qual dos aludidos conceitos se corresponde um ‘petisco’?), os autores analisam juridicamente a ‘tapa’, para concluirem que se trata dum costume (que é fonte do direito espanhol consoante ao artigo 1 do Código civil) surgido num marco negocial (a compra-venda civil dumha consumiçom líquida, como prestaçom acessória a esta).

O estudo contém outras inteligentes consideraçons jurídicas que nom glossarei, pois som consciente de que estas delicatessen legais podem ser de digestom pesada para quem nom esteja familiarizado com as artes do direito. O leitor ou leitora interessada pode aprofundar na matéria lendo o artigo dos senhores Álvarez e Barrat, que lhe permitirá papar essas ‘tapas’ de tortilha ou de salada russa com sagacidade de jurisconsulto.